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Banco brasileiro atrai investidores estrangeiros.. E-mail
02-Jul-2010


SÃO PAULO - A movimentação de R$ 9,761 bilhões com o lançamento das ações do Banco do Brasil (BB), e a perspectiva positiva dada pela agência de classificação de risco Fitch Ratings ao sistema financeiro nacional colocam o Brasil em patamar de liderança para atrair investidores estrangeiros para papéis de bancos e seguradoras.

A Fitch Ratings revisou a perspectiva de diversos bancos brasileiros para positiva de estável, após a alteração da Perspectiva dos IDRs (Issuer Default Ratings - Ratings de Probabilidade de Inadimplência do Emissor) em moeda estrangeira e local do Brasil de Estável para Positiva.

Segundo a Fitch Ratings, a perspectiva positiva para os IDRs dos bancos Bradesco, Itaú Unibanco Holding, Itaú BBA e Itaú Unibanco reflete as "forças financeiras intrínsecas desses bancos, evidenciadas por seus Ratings Individuais 'B/C', que serão beneficiados pelas melhorias no ambiente operacional". A classificação de bancos como Caixa Econômica Federal (CEF) foram elevados para 'AA+(bra)'. Na avaliação anterior a nota era AA (bra).

Um analista de uma grande corretora que preferiu não se identificar acredita que as agências de classificação estão atrasadas na avaliação. "Quem tem mais risco hoje? Espanha ou Brasil? Alguém está mau avaliado."

Para a fonte, a melhora na classificação acontece por um um misto de fatores: crise bancária internacional e a percepção dos investidores de que as leis bancárias internacionais não são rígidas com as do Brasil. "O País crescerá cerca de 7%. É fora da curva mundial. Isto atraí atenções."

O analista da correotra entende que há muito espaço para crescer no mercado bancário interno. "Os outros bancos precisaram se reposicionar frente a agressividade de expansão do BB. Não vejo espaço para mega fusões, mas bancos como Citybank e HSBC, depois de resolverem os problemas das matrizes, podem se fundir aqui."

Pouco mais otimista, o professor da Brazilian Business School, Ricardo Torres aponta como efeito práticos da melhora do rating, na visão d é que, independente das crises externas, o sistema bancário brasileiro gera lucro e conseguem pagar dividendos.

O professor destaca que a história nacional, desde a década de 1970, foi marcada por inflação de até três dígitos, dificuldades de exportação e captação de recursos no exterior. "Viramos a mesa com as regulamentações impostas por Banco Central e CVM. Hoje temos ótimas administrações nos bancos", analisou.

Torres destaca o momento da oferta do BB, em que as economias internacionais apresentam rombos no sistemas de bancos. "Chegamos ao momento de começar a exportar empresas. Não somente os bancos, mas empresas sólidas em diversos setores da economia", analisa.

Compartilhando a opinião de que o Brasil vive um momento de destaque, o professor de administração de empresas da ESPM, Adriano Gomes, reforça que o Paísnão pode perder oportunidades.

Ele enxerga que os bancos nacionais estão valorizados por apresentarem solidez, terem um dono definido e não estarem expostos a papéis alavancados ou derivativos exóticos. "Os bancos das grandes potências possuem capital pulverizado e apresentam conflitos de interesses, por buscarem o retorno do investimento e não com a continuidade. Somos, de fato, um porto seguro."

Ele relembra que bancos europeus estão com muitos papéis de dívidas soberanas de países como Grécia, Espanha e Itália. "Os papéis brasileiros são disputados e não rejeitados."

O economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg avaliou os dois fatos como "muito positivos". de forma geral nossos bancos estão melhores avaliados. "O desempenho e os fundamentos macroeconômicos, as políticas anti-ciclicas mostram que o sistema é capitalizado e pouco exposto aos derivativos."

Para ele, o fato do BB fazer uma oferta deste porte nas condições atuais de mercado mostra a força do sistema bancário.

Cruzeiro do Sul

O Banco Cruzeiro do Sul voltou ao mercado externo, captando US$ 200 milhões com a colocação de papéis com vencimento em três anos, pagando cupom (juro nominal) de 7% e oferecendo ao investidor um rendimento (yield) de 7,25%. É a primeira colocação externa feita por uma empresa brasileira desde o final de abril, quando o apetite dos investidores diminuiu, em consequência de preocupações com a solvência da Grécia e outros países da Europa. Até agora, as empresas e bancos só vinham conseguindo se financiar no mercado externo por meio de empréstimos.

Ações

Os papéis do Banco do Brasil fecharam com a maior alta do dia de ontem- 6,09%. Os papéis ordinários (BBAS3) fecharam o pregão ao valor de R$ 26,20.

Pegando carona, as ações do Itaú S.A., Itaú-Unibanco também fecharam em alta - 5,13% e 2,79%, respectivamente. O resultado impactou a leve alta da Bovespa, que fechou com 0,49%, aos 61, 2 mil pontos.

Os pedidos de reserva de investidores de varejo e daqueles que optaram por investir via fundos na oferta de ações do BB foram atendidos com rateio de 72%.

Fonte: www.spcnegocios.org.br

 
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